domingo, 26 de novembro de 2017


          Boneco de Neve- Jo Nesbo




Boneco de Neve, Jo Nesbo, Record, 7ª edição, Rio de Janeiro,2016
Título original: Snomannen, Aschehoug, 2007





" Era o dia em que a neve veio. Às onze horas da manhã, enormes flocos surgiram de um céu incolor, invadindo os campos, os jardins e os gramados de Romerike, como uma armada vinda do espaço sideral." (pág. 7)

" - Todo verão, as focas de Berhaus se reúnem no estreito de Bering para acasalar.Como os machos são a maioria,a competição pelas fêmeas é tão feroz que aqueles que conseguem conquistar uma parceira ficam com ela durante todo o período de acasalamento.(...) _ Mas, antes de as focas deixarem o estreito de Bering para procurar comida no mar aberto, o macho tentará matar a fêmea.Por quê? Porque uma foca fêmea de Berhaus nunca se acasala duas vezes com o mesmo  macho! Para ela, isso significa distribuir o risco biol´gico do material genético(...). Para ela, é biologicamente racional ser promíscua, e o macho sabe disso.( pág 14)

" - Está com fungo?- O homem fez a pergunta com expressão séria. Um longo tufo de cabelo estava grudado de viés na sua testa. Trazia debaixo do braço uma prancheta de plástico com uma folha cheia de coisas impressas."
(...)
- Seu vizinho está com mofo.
- Ah, é? E você acha que pode ter se espalhado?
- Mofo não se espalha. Podridão-seca se espalha." ( pág.15)

Este Boneco de Neve não tem nada a ver com a canção natalina " Frosty, the Snowman", definitivamente não.
Pensando bem, a canção, se fosse citada no livro ou tocada na adaptação do livro para o cinema ( com péssimas críticas por sinal) soaria sinistra.
Temos aqui o clássico assassino em série, um detetive atrás de respostas, uma comunidade assustada, e bonecos de neve.
Costumo dizer que após ler tantos livros do gênero, ficamos um pouco calejados com "mais do mesmo", Jo Nesbo veio para minha estante devido a sua nacionalidade, geralmente suecos, noruegueses, escrevem ótimos policiais.
Para mim, Mons Kalentoft e Stieg Larsson continuam a ser os melhores.
Ou comecei pelo livro errado.
Boneco de Neve tem uma boa trama, mas perde-se um pouco na vida pessoal do detetive Harry Hole, suas traições amorosas, problemas familiares que, penso, serem um anexo desnecessário e mal desenvolvido.
O desenvolvimento da investigação em si, é bom, com as reviravoltas que , de praxe, tentam fazer com que o leitor não desista do livro.
Um personagem enigmático, "o homem do mofo" é o que deixa o leitor a pensar se ele seria ou não o Boneco de Neve, mesmo depois do caso solucionado, o leitor fica na dúvida e isto é um ponto positivo da narrativa.
A menção às focas de Berhaus no estreito de Bering, também não é gratuita, faz uma ponte com o assassino, outro ponto positivo.
Talvez o livro mereça uma segunda leitura, para eu tentar encontrar mais pontos positivos, algo que me escapou da primeira vez.
Porém, como fiz apenas a primeira leitura, minha impressão não foi das melhores.
Pode ser que ao reler, faça uma segunda resenha, mais positiva, ou se calhar, não.
O que me deixou estupefacta foi o comentário do The Sunday Times  na contracapa do livro " Tão arrepiante quanto o Silêncio dos Inocentes"; totalmente descabido, o clássico de Thomas Harris é centenas de vezes melhor.
A adaptação para o cinema também não recebeu as melhores críticas, até o momento desta resenha, não assisti ao filme, portanto não posso opinar.
Deixo o espaço aberto, tanto para mim, visando uma segunda leitura, quanto para vocês, para discordarem, acatarem, enfim, terem suas próprias impressões acerca do livro.
Vamos aguardar....











sábado, 7 de outubro de 2017

Annabel Lee - A Song




Do  belíssimo poema de Edgar Allan Poe....

ANNABEL LEE *
(de Edgar Allan Poe)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar…
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim ‘stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Fernando Pessoa

domingo, 24 de setembro de 2017





Lançamento Darkside: HQ escrita por Stephen King
Um clássico a não perder!






quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ED E LORRAINE WARREN-DEMONOLOGISTAS-Arquivos sobrenaturais

                        Gerald Brittle






Ed e Lorraine- Demonologistas, Arquivos sobrenaturais. Gerald Brittle, Darkside Books, 2016, Rio de Janeiro.
Título Original-  The Demonologist : The extraordinary Career of Ed and Lorraine Warren. Gerald Brittle, Graymalkin Media, 1980,2002, U.S.A.



" Ao longo de pelo menos três décadas, Ed e Lorraine Warren  investigaram mais de 3 mil perturbações paranormais e sobrenaturais" ( pág. 18)

"Os Warren começaram a investigar fenômenos espirituais na metade da década de 1940, mas foi somente na década de 1970 que eles de fato se tornaram conhecidos pelo público" (...) em 1976, quando foram chamados a investigar relatos de uma irrupção de atividade demoníaca em Amityville, que Ed e Lorraine Warren, bem como seu extraordinário trabalho no campo dos fenômenos sobrenaturais, passaram a ser foco de atenção nacional. (pág. 23)

" Para aqueles que simplesmente se interessam pelo material, que querem aprender como evitar problemas com espíritos, o conhecimento do assunto representa não só poder, mas uma arma de proteção.  Em outras palavras, conhecer previamente é estar preparado." ( pág. 32)

" Por incrível  que possa parecer, a demonologia e o exorcismo ainda são praticados na era moderna. De fato, existem sete demonologistas reconhecidos apenas na América do Norte. Seis são clérigos ordenados,membros de diversas das principais religiões. E o sétimo é Ed Warren" (pág. 34)

" Há lugares no mundo que são realmente mal assombrados, e muitos destes lugares ficam na Inglaterra. O presbitério de Borley, por exemplo, é quase que um portal para o sobrenatural, e o tem sido por centenas de anos" ( pág. 48)

Desde miúda interessei-me por histórias de fantasmas e afins, e, portanto minhas leituras eram direcionadas na medida do possível, para este campo.
O casal Edward e Lorraine me são, por assim dizer, velhos conhecidos. Desde que li e assisti ao filme Horror em Amityville, em 1979.
Posso dizer, que tenho uma biblioteca considerável sobre o assunto, e uma videoteca igualmente farta.
Penso como Ed, em uma das citações acima :" o conhecimento do assunto do assunto representa, (...) uma arma de proteção"
O livro descreve os casos enfrentados pelo casal, com minunciosidade, veracidade, e decoro.
Não há nenhum tom jocoso que possa humilhar, diminuir, desmentir os relatos das famílias que passaram por possessões, invasão de espíritos nas casas, poltergeists, e outros problemas de ordem muito séria testemunhados por Ed e Lorraine.
Há um todo um estudo feito dos casos, entre os mais perigosos, posso citar o da boneca Anabelle,  o Caso de Enfield, em Inglaterra, o Caso de Amityville, e talvez o mais insidioso e perigoso de todos que foi o Caso da família Foster, que deu origem ao filme The Conjuring.
O filme foi bastante fiel, segundo as descrições das manifestações dos poltergeists na casa, mas nada se compara ao relato aterrorizado da senhora Sandy Foster, ao contar aos Warren os horrores que a família passou antes do casal prestar ajuda.
Para os que não acreditam no mundo dos espíritos, energias, vibrações, portais, fica difícil e desnecessária a leitura. Mas para aqueles que em algum momento em suas breves vidas ouviram, sentiram odores, presentiram, presenciaram seus animais de estimação ladrar para paredes em branco, precisam ler este bem escrito livro para ao menos perceberem que não estão sós.
Boa leitura!
















https://youtu.be/6jLFmb-gWxY

The Conjuring Occult Museum Annabelle tour with Lorraine Warren from Bea...

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

sábado, 9 de setembro de 2017


TWIN PEAKS- Arquivos e Memórias. Brad Dukes





Twin Peaks- Arquivos e memórias, Brad Dukes, Darkside, Rio de Janeiro, 2016
Título original- Reflections- an oral history of  Twin Peaks, Short/ Tall Press, 2014, U.S.A.





Hello Diane...
" Lembrarei para sempre de uma calma noite de verão em agosto de 1990.Eu tinha 9 anos de idade e brincava sozinho no quarto de cima com minha coleção de bonecos.
Desci para pegar uma Coca-Cola e reparei que minha mãe estava na pontinha da cadeira com seu café, como se estivesse prestes a ser absorvida metafisicamente pelo minúsculo aparelho de televisão sobre o balcão da cozinha.
quando me aproximei da tela, vi um vulto sombrio se movendo pela floresta à noite e perguntei para a minha mãe o que ela estava assistindo.Sem desviar os olhos da televisão, ela sussurrou : "Uma garota foi assassinada e eles estão tentando encontrar o assassino." Não ousei sair da cozinha até que surgissem os créditos."
(...)
" Vinte e cinco anos depois, Twin Peaks continua a me encher de admiração.Sinto-me obrigado a documentar e preservar este breve capítulo da história da televisão que é diferente de qualquer outro, anterior, ou posterior.Desejo que este livro, leve você, leitor, um pouco mais fundo dentro do mundo de Twin Peaks, um lugar tão maravilhoso, quanto estranho.

                                                     Brad Dukes, Prefácio.

Falar sobre Twin Peaks é entrar pela primeira vez no mundo extraordinário, estranho, fascinante e assustador de David Lynch.
Tinha eu acabado de entrar para a faculdade e tal como Brad Dukes, não conseguia sair da sala até os créditos finais.
Lembro-me também de ter deixado uma relação a conta da série, pois achava a série muito mais interessante que a pessoa na altura. Rss
E de facto, era.
O livro de Brad Dukes propõe um mergulho aos bastidores da série.
Desde a ideia original à sua estreia na TV americana.
Nos leva ao primeiro encontro entre David Lynch e Mark Frost, onde eles cogitaram pela primeira vez produzir a série :
" Esta história oral começa em uma cafeteria sem nome em Los Angeles, na Califórnia, onde David Lynch e Mark Frost se encontraram pela primeira vez. Os dois cocriadores de Twin Peaks foram reunidos inicialmente em meados da década de 1980 para colaborar em uma adaptação para o cinema de Goddess, uma biografia de Marilyn Monroe escrita pelo autor Anthony Summers (...)
Passamos igualmente pela escolha do cast, o que assim descrito, parece torutoso ao leitor, mas se tratando do realizador em questão, até que entendemos as razões de tantas entrevistas, idas e vindas até a escolha do actor que se encaixaria perfeitamente no papel.
Tinham que ser brilhantes e naturais. Simples assim. 
O livro é  composto de diversas entrevistas com os atores, produtor, realizador, operadores de câmera, roteiristas, enfim toda a equipe que fez Twin Peaks ser o fenômeno da Tv na década de 90.
São pequenos detalhes, desabafos, verdades que a série não mostrou, superstições nas filmagens, entre outras peculiaridades.
Em se falando nelas, as peculiaridades, graças a Twin Peaks, personagens inesquecíveis como Margareth, a dama do tronco, o Gigante, o pequeno Mike, Nadine e sua obsessão em criar cortinas que não fariam barulho ao correrem, B, a secretária Lucy e o namorado Andy, Gordon e tantos outros.
Personagens fortes e marcantes como o Agente Especial do FBI Dale Cooper, Laura Palmer, Leland Palmer, Bob, Mrs. Palmer, Diane...
Os desajustados James,  Audrey Horne, Bobby, Leo, jovens em busca de si mesmos enquanto tentavam desvendar o que havia de facto acontecido com a amiga Laura.
Além do mais, que espectador não ficou com a frase chave da série por anos na cabeça? Todos queriam saber afinal, "Quem matou Laura Palmer?"
Para os fãs da série, e para a geração que está conhecendo agora a continuação 25 anos depois, pela Netflix, é essencial que leiam este "manual" introdutório ao universo de Lynch.
Sem Twin Peaks não seríamos os mesmos. Eu não sou.
Com a série, uma nova dimensão se abriu em minha mente e desde então não mais de lá sai.
Todas as vezes que tomo um bom café, lembro-me de Cooper no RR Cafe, com sua fatia de Cherry Pie, servida gentilmente por Shelley Johnson, em seu uniforme verde água.
Isto é o que uma boa série nos faz. Entrar, e não mais sair. 
Transformar. 
É mágico.
Boa leitura!
Sugiro uma torta de cereja, muito café, e donnuts....
A receita vem em uma próxima postagem...