segunda-feira, 4 de dezembro de 2017



                   
                        Objetos Cortantes- Gillian Flynn




Objetos Cortantes, Gillian Flynn, Intrínseca, 2015, Rio de Janeiro
Título Original- Sharp Objects, Crown Publishing Group, 2006 NY






" ' Por quanto tempo teremos sua companhia, querida?', ela diria.
Significando: ' Quando você vai embora?" (pág. 12)

"Wind Gap era tóxica para mim. Aquela casa era tóxica para mim" (pág.45)

"Não me incomodo de contar as histórias de Wind Gap para Richard. Não sentia nenhuma fidelidade especial à cidade. Era o lugar onde minha irmã morrera, o lugar onde eu começar a me cortar. Uma cidade tão sufocante e pequena que todos os dias você esbarrava em pessoas que odiava. Pessoas que sabiam coisas sobre você. É o tipo de lugar que deixa marcas." (pág.79)

"- Quando você pensa em quem cometeu os assassinatos, tem alguém em mente?" (pág. 165)


" - Quando uma criança sabe, tão jovem, que sua mãe não se importa com ela, coisas ruins acontecem" (pág.239)

Estamos diante de um brilhante livro, como aliás, é comum em se tratando de Gillian Flynn, " Garota Exemplar", foi o primeiro livro que li da autora, fantástico, ainda na lista de espera para a resenha aqui no blog.
Objetos Cortantes, é um livro sobre rejeição.
E sobre os terríveis desastres que ela causa às pessoas, é um livro sobre uma garota querendo desde a infância entender o motivo da rejeição da mãe.
É uma história sobre sofrimento. E assassinatos cruéis.
Escrito de forma exemplar, o livro nos traz a história de Camille Preaker, repórter em Chicago, que é enviada pelo seu jornal de volta à sua cidadezinha natal, Wind Gap, para cobrir o desaparecimento de uma menina e a morte brutal de outra da mesma idade.
Ao regressar, Camille tem que lutar para sobreviver emocionalmente em casa da mãe que a rejeitou desde a infância, e lidar com a meia irmã Amma, adolescente manipuladora e caprichosa.
Na tentativa de descobrir o que aconteceu às meninas , Camille se envolve com a podridão tóxica da pequena cidade, seus moradores e seus segredos obscuros, e, principalmente envolve-se na mente perigosa e inconsequente de Amma, cujo dom de usurpar e descartar pessoas, relações, amizades, a leva a consequências irreparáveis.
Objetos Cortantes, é mais que um livro de mistério, é denso, cortante, dilacerante.
Diálogos fortes e bem construídos.
Altamente recomendável.
Palavra.



BOOK TRAILER


Sharp Objects by Gillian Flynn Fanmade Trailer







SHARP OBJECTS....

sábado, 2 de dezembro de 2017



                  Caixa de Pássaros- Josh Malerman





Caixa de Pássaros, Josh Malerman, Intrínseca, 2015, Rio de Janeiro




Bird Box, Josh Malerman, Harper Collins, 2014, NY


" Os três vivem assim. Ficam bastante tempo sem sair. E, quando saem,estão vendados.
As crianças nunca viram o mundo exterior à casa. Nem pelas janelas. E Malorie não o vê há mais de quatro anos." ( pág.8)

" O mundo exterior, os shoppings e os restaurantes vazios, os milhares de carros abandonados, os produtos esquecidos nas prateleiras ociosas das lojas: tudo exerce uma pressão sobre a casa. Tudo sussurra o que os espera lá fora." (pág. 12)

"Enfim, depois de quatro anos de esperae treino, tentando encontrar coragem para ir embora,ela rema para longe do cais, da margeme da casa que protegeu a ela e aos seus filhos pelo que pareceu uma vida inteira" (pág. 17)

" A canção comunal dos pássaros aumenta e chega ao auge antes de baixar de tom, contorcer-se e ultrapassar os limites.Malorie a ouve como se estivesse dentro dela. Como se estivesse presa em um aviário com milhares de pássaros malucos. Parece que uma gaiola se fechou com todos eles lá dentro. Uma caixa de papelão. Uma caixa de pássaros. Bloqueando o sol para sempre." (pág. 220)

Ora bem, depois de muita publicidade sobre o "Caixa de Pássaros", resolvi lê-lo para ver se todo o alrde feito em relação a ele era pertinemte.
Na minha opinião, não era.
Já li algumas resenhas, opiniões, assisti a alguns videoblogs sobre o livro e chego à conclusão de que leitores muito jovens se encantam com pouca coisa e a mídia se aproveita disso.
Leitores pouco experientes ficam deslumbrados com certos autores, jovens e igualmente sem experiência. Fato.
O leitor de suspense, terror, mistério, ou seja lá como quiserem chamar, ou tem uma boa base vinda dos clássicos como King, Lovercraft, Poe, Blackwood, os irmãos Grim, ou então vai ser atirado numa espiral de best sellers sem fundamento e acharão tudo uma maravilha.
Josh Malerman, começa bem a narrativa, mas perde-se por completo em um percurso tortuoso, como o da personagem Malorie, o que me parece é que o autor escreveu o livro de olhos vendados assim como seus personagens.
A narrativa não segue uma lógica esperada, ou nem sequer inesperada como os filmes de Lynch, o enredo, ao se perder, parece ser jogado de um lado ao outro no banco de trás de um carro capotando.
A tal criatura que ninguém vê, mas se sente, não tem a consistência de, por exemplo, a criatura do filme A VILA,deM. Night Shymalan.
E, os pássaros, na passagem em que Malorie e seus filhos estão prestes a chegar à margem segura do rio, vêm claramente de Hitchcok, ou do livro A METADE SOMBRIA  de Stephen King.
A grande diferença é que nos dois primeiros, seja o filme ou o livro, estamos a falar de dois gênios em ação. Não é definitivamente o caso de Malerman.
As passagens na casa coletiva liderada pelo personagem Tom, parecem uma mescla de muitos filmes de terror em cabanas abandonadas, o livro que está em posse de Gary , supostamente roubado, lembra os diários de antigos profetas insanos, como por exemplo no filme DEAD EVIL.
Louvável, porém é a trajetória de Malorie e seus filhos que nunca viram a luz do dia, é a redenção de uma mãe a fazer seu papel de proteger, cuidar e encontrar um porto seguro aos filhos.
No mais, a meu ver, o livro é uma colcha de retalhos, de filmes , livros, séries, enfim, uma mescla do melhor que já se fez em literatura, cinema e televisão, revisitado por um amador.
O autor também tem uma banda de rock, esperemos que toque melhor que o que escreve.
E como se tornou hábito nos dias que correm, aí vem o lançamento do filme baseado no livro, penso que não há mais adaptações como nas décadas anteriores.
Torna-se desnecessário passar para as telas o que já é ruim escrito.
Abro uma excepção para THE SINNER, adaptção feita pela Netflix do livro A Pecadora, mas isto fica para uma próxima postagem.
Quem quiser se arriscar, boa leitura... bird box...enfim...



O autor e sua banda de rock, High Strung






Book Trailer:

domingo, 26 de novembro de 2017


          Boneco de Neve- Jo Nesbo




Boneco de Neve, Jo Nesbo, Record, 7ª edição, Rio de Janeiro,2016
Título original: Snomannen, Aschehoug, 2007





" Era o dia em que a neve veio. Às onze horas da manhã, enormes flocos surgiram de um céu incolor, invadindo os campos, os jardins e os gramados de Romerike, como uma armada vinda do espaço sideral." (pág. 7)

" - Todo verão, as focas de Berhaus se reúnem no estreito de Bering para acasalar.Como os machos são a maioria,a competição pelas fêmeas é tão feroz que aqueles que conseguem conquistar uma parceira ficam com ela durante todo o período de acasalamento.(...) _ Mas, antes de as focas deixarem o estreito de Bering para procurar comida no mar aberto, o macho tentará matar a fêmea.Por quê? Porque uma foca fêmea de Berhaus nunca se acasala duas vezes com o mesmo  macho! Para ela, isso significa distribuir o risco biol´gico do material genético(...). Para ela, é biologicamente racional ser promíscua, e o macho sabe disso.( pág 14)

" - Está com fungo?- O homem fez a pergunta com expressão séria. Um longo tufo de cabelo estava grudado de viés na sua testa. Trazia debaixo do braço uma prancheta de plástico com uma folha cheia de coisas impressas."
(...)
- Seu vizinho está com mofo.
- Ah, é? E você acha que pode ter se espalhado?
- Mofo não se espalha. Podridão-seca se espalha." ( pág.15)

Este Boneco de Neve não tem nada a ver com a canção natalina " Frosty, the Snowman", definitivamente não.
Pensando bem, a canção, se fosse citada no livro ou tocada na adaptação do livro para o cinema ( com péssimas críticas por sinal) soaria sinistra.
Temos aqui o clássico assassino em série, um detetive atrás de respostas, uma comunidade assustada, e bonecos de neve.
Costumo dizer que após ler tantos livros do gênero, ficamos um pouco calejados com "mais do mesmo", Jo Nesbo veio para minha estante devido a sua nacionalidade, geralmente suecos, noruegueses, escrevem ótimos policiais.
Para mim, Mons Kalentoft e Stieg Larsson continuam a ser os melhores.
Ou comecei pelo livro errado.
Boneco de Neve tem uma boa trama, mas perde-se um pouco na vida pessoal do detetive Harry Hole, suas traições amorosas, problemas familiares que, penso, serem um anexo desnecessário e mal desenvolvido.
O desenvolvimento da investigação em si, é bom, com as reviravoltas que , de praxe, tentam fazer com que o leitor não desista do livro.
Um personagem enigmático, "o homem do mofo" é o que deixa o leitor a pensar se ele seria ou não o Boneco de Neve, mesmo depois do caso solucionado, o leitor fica na dúvida e isto é um ponto positivo da narrativa.
A menção às focas de Berhaus no estreito de Bering, também não é gratuita, faz uma ponte com o assassino, outro ponto positivo.
Talvez o livro mereça uma segunda leitura, para eu tentar encontrar mais pontos positivos, algo que me escapou da primeira vez.
Porém, como fiz apenas a primeira leitura, minha impressão não foi das melhores.
Pode ser que ao reler, faça uma segunda resenha, mais positiva, ou se calhar, não.
O que me deixou estupefacta foi o comentário do The Sunday Times  na contracapa do livro " Tão arrepiante quanto o Silêncio dos Inocentes"; totalmente descabido, o clássico de Thomas Harris é centenas de vezes melhor.
A adaptação para o cinema também não recebeu as melhores críticas, até o momento desta resenha, não assisti ao filme, portanto não posso opinar.
Deixo o espaço aberto, tanto para mim, visando uma segunda leitura, quanto para vocês, para discordarem, acatarem, enfim, terem suas próprias impressões acerca do livro.
Vamos aguardar....











sábado, 7 de outubro de 2017

Annabel Lee - A Song




Do  belíssimo poema de Edgar Allan Poe....

ANNABEL LEE *
(de Edgar Allan Poe)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar…
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim ‘stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Fernando Pessoa

domingo, 24 de setembro de 2017





Lançamento Darkside: HQ escrita por Stephen King
Um clássico a não perder!