quarta-feira, 13 de junho de 2012

            

               O Cemitério- Stephen King



O Cemitério, Stephen King, Objetiva, 2011, Rio de Janeiro.
Título original- Pet Sematary




" Na madeira, em tinta preta meio apagada, liam-se com dificuldade as palavras:" Simitério" de bichos." (pág 58) vezes


" Às vezes,o cemitério de bichos é o primeiro encontro cara a cara com a morte que elas têm- disse Jud... (pág. 83)


"- Sua destruição e a destruição de tudo que o senhor ama, está muito próxima, doutor" (pág. 129)

Aí está um exemplo de como o título mal traduzido do livro poderia dar uma idéia errada da história.
As edições brasileiras optaram por assim  traduzir "The Pet Sematary", que seria, numa tradução mais fiel à narrativa e ao título original, Simitério de animais.
Trata-se sobretudo de uma história sobre família, sobre traumas do passado, e sobre saber perder para a morte quando ela chega.
Stephen King nos apresenta a história dos Creed, Louis e Rachel, e os filhos Eillen e Gage além  do gato da filha, Churchill.
Os Creed mudam-se para uma nova casa, em Ludlow, assim que Louis aceita o cargo de médico na Universidade do Maine.Tendo  como vizinhos  Judson e Norma Crandall um casal de meia idade.
Jud Crandall terá um papel crucial na vida de Louis. Será ele que vai levar a família a conhecer as redondezas do novo lugar e mostrar a eles o "Simitério de animais", um cemitério já bastante antigo onde crianças enterravam seus animais de estimação. Tanto a placa de madeira á entrada como os dizeres nas pequenas lápides foram escritas por ciranças, daí a caligrafia ás vezes incorreta.
Eilen fica impressionada com o sítio e à noite, questiona o pai sobre a morte.Louis tenta tranquilizá-la e sua esposa que ouvia a conversa, vem ter com ele e a sós falam da morte de Zelda, a irmã da sra. Creed, que padecia de meningite espinhal, e Rachel então com oito anos apenas estava sozinha em casa com a irmã no dia em que esta falece.
Rachel desde então é assombrada pelas recordações da enfermidade da irmã e culpa os pais por terem-na deixado sozinha no dia fatal.



Logo em seu primeiro dia de trabalho, Louis perde um paciente,Victor Pascow, que passa a fazer aparições em seus sonhos e a fazer profecias. Em um desses sonhos, o médico segue o fantasma até a um outro cemitério, que não o de animais, e quando acorda, tem os pés enlameados. Assustado, questiona se o sonho terá sido real.
Num feriado em que Louis fica sozinho em casa por não querer ver os sogros,por motivos de desavenças anteriores, Churchill é atropelado por um caminhão na estrada.
Sem saber como há de dar a notícia á filha, aceita a sugestão de Jud e enterra o gato no cemitério Micmac, localizado um pouco acima do cemitério de animais. O mesmo que Pascow lhe mostrava em sonhos.
Antes do feriado terminar, e a família voltar, Churchill volta para casa. Afinal, a lenda indígena de que animais enterrados em solo Micmac voltavam á vida era real. O gato, entretanto, volta mais agressivo, com um olhar deferente e mau odor.Eilen passa a estranhar o gato.
Inesperadamente, a vida de Gage é retirada. O pai, considera então, enterrá-lo no cemitério Micmac.
Acredito que a partir do capítulo 51 (segundo a edição aqui referida) o verdadeiro desespero e o horror tomam conta da narrativa numa corrida contra o relógio para um desfecho tão inesperado quanto terrível.
Porque, convenhamos, por um lado espera-se que as pessoas aprendam com os erros e não voltem a cometê-los. Mas por outro o desespero de quem já perdeu muito pode falar mais alto.É ler para crer !!!


"O Cemitério", como acontece com grande parte da obra de King, foi adaptado para o cinema em 1989 e faz parte da vasta galeria dos "clássicos dos anos 80" para quem gosta e entende de filmes de terror.
Houve um "Cemitério Maldito 2", mas na minha opinião descambou para o Trash trash, porque há o Trash, e depois os trash trash, o segundo dispenso.
O Grupo Ramones gravou "Pet Sematary" cuja letra está no link mais abaixo.
Considero este livro um dos mais sólidos do autor, porque consegue misturar numa poderosa narrativa elementos do drama familiar, com a pitada de horror que já lhe é clássica.
Não se deixem levar pelo título.Não é um livro sobre cemitérios.Não senhor.








Cemitério Maldito, 1989







                                          A letra da música dos Ramones :


                            http://www.vagalume.com.br/the-ramones/pet-sematary.html

                       








Imagem do cemitério Mic Mac









                                Stephen King em Cemitério Maldito
                                  




                



domingo, 10 de junho de 2012





    A Queda da Casa de Usher- Edgar Allan Poe





                                                 

                                               

A Queda da Casa de Usher, Edgar Allan Poe, Quasi, 2008, Famalicão.
Título original- The Fall of the House of Usher


"Ao longo de um dia tedioso, escuro e mudo do Outono desse ano, em que as nuvens se penduravam opressivamente baixas nos céus, eu estivera a percorrer, montado a cavalo, um porção de terra singularmente desolada, tendo acabado por me deparar,à medida que as sombras da noite se instalavam, com a melancólica Casa de Usher." (pág. 9)


"Um criado que aguardava tomou conta do meu cavalo e eu penetrei na arcada gótica do salão" (pág.14)


"Fiquei a saber, para mais, a intervalos e através de pistas arrevesadas e equívocas, uma outra característica singular do seu estado mental. Ele via-se acometido por certas impressões supersticiosas a respeito da habitação que ocupava, e da qual, há vários anos, não arriscava sair- a respeito de uma influência cuja suposta força se transmitia em termos demasiado obscuros para aqui serem reformulados- (pág. 19)


Bem, convido o leitor a entrar na mansão de Roderick Usher e conhecer os horrores que lá estão cravados nas paredes da Casa.
Este conto, um dos mais conhecidos de Poe, é realmente assustador se o leitor tiver a capacidade de transportar-se totalmente para dentro da Casa (aqui tratada com letra maiúscula, como no livro, por representar também um personagem) e tal como o narrador estar atento aos ruídos e segredos que ela esconde.
Poe foi mestre na criação de ambientes góticos, pesados, cheios do verdadeiro horror que escritores mais modernos ou realizadores de cinema tentaram criar sem sucesso. 
Aqui,  Roderick Usher envia uma carta a um colega de infância a pedir que este lhe faça companhia por uns tempos já que está a sofrer de uma doença provavelmente de origem nervosa que acabou por lhe atacar também o corpo.
Usher vivia com sua irmã Madeline a qual também padecia de uma doença desconhecida que lhe trazia apatia e perturbações nervosas.
O convidado dos Usher, atende o pedido e aos poucos vai se apercebendo que ambos os irmãos padecem de uma doença nervosa que deles  vai tirando as forças e a sanidade mental. Apercebe-se também ao longo da narrativa que a origem dessa doença pode ter a ver com a Casa e com algum segredo entre os irmãos.
Madeline, sucumbe à enfermidade e Usher pede ajuda ao amigo para colocá-la em um caixão numa das várias catacumbas " que existiam no interior do edifício".
Após o ocorrido, Usher piora radicalmente, mental e fisicamente a degradação é visível aos olhos do amigo que começa a sentir-se incomodado com a estadia na Casa.
Num crescente horror, Roderick Usher acredita estar a ouvir Madeline a andar pela Casa o que vai fazer a narrativa ir de encontro a um desfecho realmente aterrador.
"A Queda da Casa de Usher" simboliza a decadência dos irmãos atormentados por uma culpa partilhada que o leitor vai descobrir durante a leitura, a Casa em si, responsável por abrigar gerações dos Usher, sendo Roderick e a irmã os últimos, é o personagem responsável digamos assim, pelos maus genes que ali se instalaram anos e anos a fio. As casas, tem atmosferas e nem sempre boas.
Recomendo a leitura desse livro numa noite de chuva, frio e um bom chocolate quente com Maizena a acompanhar.
Altamente recomendável!


Gostaria de deixar aqui um pequeno aparte com relação ás traduções.
A edição que li e da qual retirei as citações, é uma edição portuguesa, assim como a grande maioria dos livros aqui comentados.
Por curiosidade, fui checar a edição brasileira e parecia que estava a ler livros diferentes.
Extremamente resumido, poucos detalhes, e outras grelhas que não vem agora aos caso. Mesmo porque, quem fez a tradução não está mais aqui para se defender.
Nem sempre simplificar as coisas é o melhor caminho.
Sem ofensa, prefiro as edições portuguesas, ou então ler no original. Há traduções e traduções.


                              A Queda da Casa de Usher no Cinema





sexta-feira, 8 de junho de 2012

     
        O Exorcista- Wiliiam Peter Blatty








O Exorcista, William Peter Blatty, 1ª ed, Gailivros, 2010, Alfragide
Título Original- The Exorcist


" O ancião apressou-se a regressar a Mossul e ao comboio que queria apanhar, levando no coração a convicção gelada de que em breve teria que enfrentar um velho inimigo." (pág. 15)


" Tal como acontece com os clarões breves das explosões dos sóis condenados a morrer, que são dificilmente perceptíveis pelos olhos dos cegos, quase nem se notou o início do terror." (pág. 19)


" E, depois sentiu finalmente o frio.Que dominava o quarto.O ambiente estava gelado. Sem fazer barulho, dirigiu-se à janela. Examinou-a. Estava fechada. Tocou no radiador. Estava quente." (pág. 21)


Engana-se o leitor se pensa que vai encontrar neste livro o sensacionalismo do filme homônimo de 1973.
Creio que este é um dos livros mais bem escritos dentro do gênero suspense/ terror. A narrativa evolui sutilmente de um cotidiano normalíssimo de uma família, para o  horror da possessão e finalmente o exorcismo.
Sem no entanto perder de vista os demais personagens cujas histórias pessoais dão profundidade e riqueza ao livro.
Acho-o uma leitura de suspense de tirar o chapéu, sente-se, como já disse, uma um sutil crescente da tensão, como se tudo caminhasse a pisar ovos, num silêncio maléfico subentendido.
Quando a  atriz Chris MacNeil se muda para Georgetown por motivos de trabalho, leva consigo sua filha de doze anos Regan, e o casal de meia-idade Karl e Willie seus funcionários na lida da casa.
Vivendo um momento de adaptação ao novo papel, nova casa e cidade, a senhora MacNeil é absorvida pelo cotidiano e mal dá por pequenas mudanças no comportamento de Regan.
Na noite em que dá uma festa para os colegas do trabalho,, a miúda aparece a meio da festa a dizer coisas desagradáveis e sem nexo aparente. Assustada, a mãe procura ajuda médica para Regan cujos diagnósticos são inconclusivos.
Certa noite quando a mãe está ausente, um amigo da família, Burke, aparece morto na escadaria exterior que dá acesso à casa, aparentemente atirado pela janela do quarto de Regan.
O detetive Kinderman inicia as investigações e o padre Karras, que também é psiquiatra, é procurado por Chris a fim de ajudar na solução do caso e trazer conforto espiritual á familía.
A posição da cabeça do morto totalmente voltada para trás, despoleta a hipótese de um ritual satânico, vindo de encontro com algumas profanações ocorridas na igreja próxima dias antes.
Como Regan não apresentava melhoras apesar da medicação e dos imensos testes psiquiátricos, e neurológicos, coloca-se a questão da possessão e de um possível exorcismo.
Padre Karras, descrente, tenta dissuadir Chris, mas esta se mostra irredutível.
A ajuda vem então, de um  outro sacerdote, padre Merrin, bastante experiente em lidar com as forças do mal, e ambos tentam salvar a miúda.
Através do ritual do exorcismo eles vão desafiar o demônio Pazuzu e sofrerão as consequências.
Para além do tema do exorcismo, o autor explora e muito bem as questões da fé no personagem do padre Karras, atormentado pela falta de fé e pela culpa por estar longe da mãe que vive sozinha. Aborda também as questões da psiquiatria e neurologia, como explicação racional para a  suspeita de possessão ao longo da narrativa.
"O Exorcista" é uma obra muito bem escrita, que acrescenta imenso à literatura do gênero, pode até não ser tão assustador quanto o filme, mas com certeza lhe é superior.
Diria que "O Exorcista" é um excelente livro de suspense, e que a questão do exorcismo em si, não está cá para aterrorizar os leitores, mas para mostrar a nossa vulnerabilidade perante as forças do Mal.
Basta ler sobre exorcismos reais e pesquisar atentamente sobre eles ao longo da história para constatar que não são assim tão raros.


O livro teve sua primeira adaptação cinematográfica nos Estados Unidos em 1973, com roteiro do próprio Blatty.
Tive o privilégio de o ver remasterizado, em 2003, no Braga Parque, numa tarde de folga do trabalho,com chuva e frio. Perfect!










       A clássica foto a preto e branco do padre Merrin a chegar a casa de Regan













terça-feira, 5 de junho de 2012

    O Deus das Moscas- William Golding



                                                    



O Deus das Moscas, William Golding Colecção Público Mil Folhas n°7, 2002,Porto.


Título original- The Lord of the Flies.


"- Estão todos mortos- tornou o Bucha- e estamos numa ilha. Ninguém sabe que estamos aqui. O teu pai não sabe, ninguém sabe... (pág 13)


"- Caluda!- intimou Rafael distraidamente. Ergueu a concha- Parece-me que precisamos de um chefe que tome decisões.
-Um chefe.Um chefe.
- Eu devo ser o chefe- propôs Jack com simples arrogância- , porque sou corista de capítulo e chefe e turma. Sei cantar. (pág 21)


"Arrancou o facão da bainha e arremessou-o contra o tronco de uma árvore.Para a próxima vez não haveria piedade." (pág.31)


"Que somos nós? Humanos? Ou animais? Ou selvagens? Que irão pensar de nós os adultos? Escapamo-nos...para caçar o porco-bravo...para deixar apagar o fogo...e agora isto!" ( pág.99)


"Pretender que eles eram ainda rapazinhos, rapazinhos do liceu que diziam 'Sim, senhor doutor'! e traziam boné? " ( pág.206)




Sempre que releio este livro, vem-me à cabeça o título daquele filme de Martin Scorsese, "Tudo bons rapazes". O filme nada tem a ver com o livro, mas o título sempre me recorda esses rapazinhos...
Stephen King em seu livro de não ficção, "Dança Macabra", coloca "O Deus das Moscas" em sua lista de livros favoritos. E eu entendo porquê.
"O Deus das Moscas" não é um livro de terror, nem um policial, mas trata da maldade inerente no ser humano, do primitivismo, da crueldade, no seu melhor. No seu melhor porque está, neste livro, em sua forma mais crua e selvagem, em estado bruto. É a descoberta do poder e da violência. É como uma "Lagoa Azul" ao contrário.
O enredo : um grupo de crianças inglesas sofre um acidente de avião e vão ter a uma ilha onde terão que sobreviver até que chegue socorro.
A princípio mantém-se unidos, receosos e assustados com o ambiente hostil da ilha.
Sem um adulto sequer para os orientar e confortar, os rapazes iniciam-se na caça, pesca,construção de abrigos e distribuição de tarefas.
Porém os dias vão passando e o parafuso começa sua volta...
Um grupo de crianças urbanas numa ilha deserta.
De onde não podem sair sozinhas.
Deixe o tempo passar e o pior de cada uma delas vem ao de cima.
É a natureza da maldade que aos poucos se mostra.
O grupo divide-se, surgem dois líderes,a confiança se quebra, a crueldade dita as regras e o caos se instala.
Penso onde ficaria então, a máxima de Rousseau "O Homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe", se calhar, não fica.
Rapazinhos recém saídos de suas boas famílias, de suas escolas britânicas, como a narrativa vai dando a entender ao leitor,meninos de coro, como o próprio personagem Jack se auto denomina, transformam-se praticamente em selvagens num ambiente bucólico, natural e desabitado da ilha...
Ora, em que ficamos? 
Na minha opinião, cada um deles chegou àquela ilha com sua cota de crueldade, hostilidade, selvageria, sob o espartilho de uma educação aprimorada, e sob o hábito de respeitar e obedecer regras, na escola, na família, na sociedade.
Quando se viram sem ter a quem responder por seus atos, estando por sua própria conta e risco,as regras sociais cairam por terra e ficou apenas aquilo que todos somos na realidade: animais em luta pela sobrevivência.
William Golding nos mostra aqui um livro perturbador, que pode ser explorado em vertentes sociais, filosóficas, antropológicas.
Podemos explorar a natureza humana, o fator genético, a maldade nata, a luta pelo poder, a liderança levada ao  extremo, o darwinismo,o bullying, com certeza o leitor atento descobrirá por si, as mensagens sublinhares.
Tudo isso em um grupo  de crianças, numa ilha, fechados a céu aberto, como ratos de laboratório.
Ao invés da máxima de Rousseau, prefiro o velho ditado cigano: "No meio de lobos, uiva como eles"
O livro foi adaptado para o cinema em 1963,( o livro, publicado na Inglaterra em 1954), dirigido por Peter Brook.
Também teve uma segunda adaptação em 1990.


Um livro indispensável para toda a gente, principalmente pais e educadores.




                                 Lord of the Flies, 1963







Para  aqueles que passam a vida com lentes cor de rosa....



sábado, 2 de junho de 2012



Drácula- Bram Stoker
        


                                                 
                                              

  Drácula, Bram Stoker, Europa América, Mem Martins
  Título original- Dracula
  
"Caro amigo:
Bem vindo aos Cárpados. Espero-o ansiosamente. Durma bem essa noite.Amanhã ás três, parte uma diligência para Bucóvina; tem um  lugar reservado nela. No desfiladeiro de Borgo espera-o minha carruagem, que o trará até aqui. Espero que a sua viagem desde Londres tenha corrido bem e que venha a apreciar sua estada no meu país.
                         seu amigo,
                                                Drácula" (pág 10)

"É estranho, mas ainda não vi o conde comer nem beber. deve ser um homem muito especial.! " (pág 33)

"O nosferatu não morre como a abelha,quando espeta o ferrão. Ele é mais forte. E sendo mais forte, mais poder tem para perpetrar o mal."(pág 259)


Ora aí está o livro que gerou um dos mitos mais conhecidos e explorados da história da literatura e do cinema de terror.
Bram Stoker criou a figura lendária do vampiro (embora as lendas sobre vampiros já existissem muito antes na Europa de Leste) neste seu "Drácula" e
a partir daí o livro tornou-se referência para escritores pós Stoker, até aos dias de hoje.
Vale lembrar, que antes dele, Sheridan Le Fanu já havia escrito o livro "Carmilla" sobre uma vampira (1872) e Polidori na famosa noite de tertúlia com Mary Shelly escreveu o conto "O Vampiro" (1919)."Dracula foi publicado em 1897.
"Drácula" para o leitor nascido depois dos anos 80, poderá ser de difícil leitura posto que em sua maior parte os diálogos são escassos, a narrativa chega através das missivas e diários dos personagens alternadamente. Para uma geração que acompanha "os novos Vampiros" como Edward Cullen, vai sentir uma certa estranheza na leitura.
Em contrapartida, a narrativa é rica em detalhes geográficos, quase pictórica, principalmente no início, aquando a viagem de Jonathan Harker a Transilvânia.
O leitor deve estar preparado, como já mencionei, para uma leitura pouco dinâmica, embora de qualidade.
O enredo é simples, ou pelo menos deveria ser, se o personagem em questão  não fosse um vampiro.
Jonathan Harker, advogado, segue desde Londres a Transilvânia para tratar da compra de uma propriedade pelo conde Drácula.Vai, portanto visitar seu cliente em seu castelo, onde é feito prisioneiro.
Logo na primeira noite no castelo sombrio, Jonathan nota que o conde é um homem enigmático e com hábitos estranhos.
Decidido resolver o assunto da compra do imóvel o mais depressa possível para poder regressar a Londres para os braços de sua noiva Mina, o jovem terá que lidar  com forças sobrenaturais que retardarão sua partida.
O conde Drácula dá então, início a sua viagem de navio em direcção a Londres levando consigo caixas enormes de terra provenientes do solo de seu castelo.
Enquanto isso se dá na Transilvãnia, em Londres, Mina e sua amiga Lucy juntamente com o Dr. Seward,Arthur e Quincey, começam a sentir as primeiras mudanças dessa catastrófica viagem.
No decorrer da narrativa cada personagem será afetado e terá sua vida terrivelmente modificada pela presença do conde em Londres. Um rasto de morte e tragédia abater-se-á sobre cada um.
O dr. Van Helsing une-se aos demais na caça ao vampiro numa tentativa de salvar  Mina e suas próprias vidas.
Vale ressaltar o personagem Renfield, interno do hospital psiquiátrico e paciente do dr. Seward, que nutre pelo conde uma relação fiel e obsessiva, a quem chama mestre. Prestem atenção nele.
Esta obra de Stoker foi adaptada para o cinema várias vezes, dela resultou outros livros sobre o assunto, sendo "A hora do vampiro" de Stephen King um   deles com forte influência de Stoker.
"Drácula" é um livro de referência e como tal, imprescindível.

Who wants to live forever: as mil faces de Drácula no cinema:


         
                          O ator Max Schreck em "Nosferatu" 1922






                           O ator Bela Lugosi em  "Drácula" 1931








                O ator Christopher Lee em "O Vampiro da noite" 1958






             O ator Gary Oldman em "Drácula de Bram Stoker- 1992


    
           O ator Willen Dafoe em "A Sombra do vampiro" 2000


domingo, 27 de maio de 2012

           


              PREDADOR - PATRICIA CORNWELL






Predador, Patricia Cornwell, 2ª ed, Editorial Presença,2009, Lisboa
Título original- Predator


"O caso não é decerto um candidato ao estudo dos determinantes prefrontais da reactividade agressiva manifesta conhecido como PREDADOR, conclui Scarpetta, apercebendo-se vagamente do barulho de uma moto no recinto da Academia" (pág. 11)


(...)" a abordagem a um local do crime é semelhante à de um predador. move-se do exterior para dentro, guardando o pior para o fim." (pág. 124)


"Como psicólogo forense, julgava ter visto já praticamente todas as variantes do insólito. Mas nunca viu nada como isto." (pág. 187)


Predador foi um dos livros de Patricia Cornwell  que mais me inquietou até agora, embora "Post Mortem" tenha me feito pensar bastante acerca do quão vulneráveis podemos estar, mas este livro terá com certeza seu espaço aqui, para maiores detalhes.
Ora, a história do "Predador" foi daquelas em que o livro veio ao meu encontro e não o contrário, encontrei-o nas prateleiras da Fnac de Braga, quando na verdade estava intrigada com um livro de Agatha Christie que tinha visto em um blog, so, fui à procura de "4.50 from Paddigton", mas "Predator" foi mais certeiro na altura.
Foi assim que Patricia Cornwell entrou em minha vida literária.Para nunca mais sair.
Esta senhora escreve bastante bem e, na altura da publicação da edição acima de Predador, era Directora  de Ciência Forense Aplicada na National Forensic Academy segundo a badana do livro.
Predador é uma palavra que no livro tem o significado de um projecto desenvolvido para analisar o cérebro de assassinos violentos, e estudar suas reacções aos testes.
Um recluso, Basil Jenrette, é o voluntário para os estudos e durante os testes faz uma revelação inesperada, que na altura dos crimes tinha um cúmplice, e que este ainda estaria a agir.
Kay Scarpetta e sua equipe é destacada para tratar do caso, enquanto Benton tenta, entender a mente de Basil ao mesmo tempo que tem que fazer com que ele colabore com a polícia.
Tem início então, uma inquietante trama, onde a vidas estão em jogo, personagens que aparentemente não se conhecem de lado nenhum revelam caminhos cruzados num dado momento que vão culminar num macabro jogo do qual não se pode sair.
Aqui, o que inquieta é a existência de um personagem que possui um distúrbio de personalidade e será responsável por levar o leitor a um mundo distorcido existente em sua mente. Patricia Cornwell com muita segurança descreve e narra este universo existente numa mente doente no ponto certo, nem mais nem menos. Creio que Predador é mais que o nome do projecto, é mais que a palavra usada para designar animais e seres humanos , é usada, sobretudo para designar o que espreita por trás de uma mente doente, o que está á espera, paciente, muito paciente, e vem insurgindo aos poucos, como a própria loucura.
Recomendável para quem quer um ótimo thriller forense, e de quebra, leva um ótimo thriller psicológico.
Um dos melhores da autora.




Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre Patricia Cornwell










Veja aqui o video promocional do livro:



http://vimeo.com/12378021


sábado, 19 de maio de 2012

      


   
    TESTEMUNHA DA ACUSAÇÃO- Agatha Christie




 Testemunha da Acusação, Agatha Christie, 3ª edição, Civilização Brasileira, 1970, Rio de Janeiro.
Título original em inglês- Witness for the Prosecution

Robarts- " Do princípio...Conte-me o princípio...Como foi que a conheceu?" (pág. 13)

Romaine- "Mas eu quero que me explique bem, para eu saber o que eu faço. Se eu disser: sim, Leonardo estava comigo no apartamento ás 9 e 30, ele será absolvido? A justiça o deixará em paz? (As maneiras dela deixam o advogado perplexo). (pág. 52)
O presente livro não é um dos meus favoritos da autora,como por exemplo, "As dez figuras negras", "O Assassinato de Roger Ackroyd" ou "Sangue na piscina" só para citar alguns, mas não há dúvida que é um livro marcante, principalmente na época em que foi escrito.
Esta peça em três atos nos apresenta uma trama simples: Leonard Vole é acusado da morte de uma senhora, French, a qual conheceu por acaso na rua e dela se tornou amigo íntimo.
O acusado vai á procura do advogado Robarts para defendê-lo. São chamadas a depor Janet, a governanta da Sra. French que claramente não gosta de Leonard; e também sua esposa, Romaine, que ao princípio corrobora com o depoimento do marido, para depois tornar-se numa gélida testemunha de acusação.
Passada praticamente em tribunal, a peça traz diálogos de cortar à faca, rápidos e surpreendentes, prendendo o leitor numa teia de intrigas trazendo um desfecho inesperado. Mesmo inesperado.
O livro foi adaptado para o cinema com nada mais nada menos que Marlene Dietrich no papel de Romaine. Desempenho, aliás, excelente, não poderia ser melhor escolha. Foi o mesmo que designar Anthony Hopkins para o papel de Hannibal Lecter. No coments.
Testemunha da Acusação manteve-se em cartaz durante anos seguidos nos teatros de Londres, Paris e New York.
Um livro de referência obrigatória para os admiradores de Agatha Christie.

               
                   Vídeo do filme realizado em 1957.





                           



                      Fotos do filme com Marlene Dietrich